Minas Gerais(MG) – A privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) entrou em uma nova fase em 2026 após a venda da maior parte das ações que pertenciam ao Governo de Minas Gerais. Com a operação concluída, o Estado deixou de ser o controlador da empresa, encerrando um ciclo de mais de seis décadas em que a companhia esteve sob comando direto do poder público.
A negociação movimentou cerca de R$ 8,4 bilhões e transferiu o controle da empresa para investidores privados, tendo o Grupo Equatorial como principal investidor de referência. Antes da operação, o governo possuía aproximadamente 50,03% das ações da companhia. Após a privatização, manteve apenas uma participação residual de cerca de 5%, além de uma chamada “golden share”, mecanismo que garante poder de veto em algumas decisões estratégicas, como mudança da sede da empresa, alteração do nome da companhia e outras questões consideradas de interesse público.

O que muda para os consumidores?
A principal dúvida dos mineiros é se a privatização trará aumento na conta de água e esgoto.
Na prática, os reajustes tarifários continuam sendo regulados por órgãos competentes e não podem ser definidos livremente pela empresa. Entretanto, especialistas apontam que empresas privadas costumam buscar maior eficiência operacional e retorno financeiro para os investidores, o que gera debates sobre os possíveis impactos nas tarifas e na qualidade dos serviços.
Os defensores da privatização argumentam que a entrada de capital privado pode acelerar investimentos em infraestrutura, ampliar a rede de coleta e tratamento de esgoto e ajudar Minas Gerais a cumprir as metas do Marco Legal do Saneamento, que prevê a universalização dos serviços até 2033.
Já os críticos alertam para o risco de aumento de tarifas no longo prazo e para a preocupação de que um serviço essencial, como o abastecimento de água, passe a ser administrado com foco prioritário em resultados financeiros. A discussão tem gerado intensos debates entre sindicatos, movimentos sociais, especialistas e representantes do setor privado.
Por que o governo decidiu privatizar?
O governo mineiro defendeu a privatização como uma forma de atrair investimentos e reduzir a necessidade de aportes públicos em saneamento. Outro argumento apresentado foi a situação fiscal do Estado e a necessidade de levantar recursos para programas de reorganização financeira e pagamento de dívidas.
Segundo estudos utilizados durante o processo, Minas Gerais precisa ampliar significativamente os investimentos em saneamento para atingir as metas nacionais de universalização dos serviços. A expectativa é que a gestão privada tenha maior capacidade de investimento e execução dessas obras.

O que permanece sob fiscalização?
Mesmo privatizada, a Copasa continuará sujeita à fiscalização de agências reguladoras, órgãos ambientais, Ministério Público e Tribunal de Contas. Além disso, os contratos firmados com os municípios permanecem em vigor, e a empresa continua responsável pela prestação dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário nas cidades atendidas.
O desafio daqui para frente
A privatização marca uma das maiores mudanças na história do saneamento mineiro. O sucesso ou fracasso da medida será avaliado principalmente pela população, que espera melhorias concretas no abastecimento, expansão da coleta e tratamento de esgoto, redução de perdas e manutenção de tarifas acessíveis.
Para os consumidores, a principal questão não é quem controla a empresa, mas se a qualidade do serviço irá melhorar e se a conta continuará cabendo no orçamento das famílias mineiras. Essa resposta começará a aparecer nos próximos anos, à medida que os investimentos prometidos forem executados e seus resultados puderem ser medidos pela população.










