Investigado havia sido preso em flagrante após denúncia de paciente no Hospital Universitário Alzira Velano; decisão judicial permite que ele responda ao inquérito em liberdade enquanto as investigações prosseguem.
Alfenas (MG) – O caso que mobilizou autoridades policiais e gerou ampla repercussão em Alfenas e em toda a região teve um novo desdobramento na tarde desta segunda-feira (03/08). A Justiça concedeu liberdade provisória ao estudante de medicina A.F., de 39 anos, investigado por suspeita da prática do crime de importunação sexual contra uma paciente nas dependências do Hospital Universitário Alzira Velano.
O estudante havia sido preso em flagrante após a vítima relatar o ocorrido ainda dentro da unidade hospitalar. A denúncia levou à rápida atuação da Polícia Militar, que realizou a prisão do suspeito. Em seguida, ele foi encaminhado à Delegacia da Polícia Civil, onde a autoridade policial ratificou o flagrante, formalizando a prisão.
Na manhã de segunda-feira, o investigado foi conduzido ao sistema prisional, onde permaneceu à disposição da Justiça até a realização da análise judicial do caso.
Decisão judicial
Já no início da tarde desta segunda-feira, o Poder Judiciário decidiu conceder liberdade provisória ao investigado. Com isso, ele deixou a unidade prisional e passará a responder ao inquérito policial em liberdade, enquanto a investigação segue em andamento.
A concessão da liberdade provisória não representa absolvição nem arquivamento do caso. Trata-se de uma medida prevista na legislação brasileira, aplicada quando o magistrado entende que, naquele momento, não estão presentes os requisitos legais que justificariam a manutenção da prisão preventiva, como risco à ordem pública, possibilidade de interferência nas investigações ou risco de fuga.
Assim, o estudante permanece sendo investigado e poderá voltar a ser submetido a medidas judiciais caso surjam novos elementos durante a apuração.

Crime investigado
O caso é apurado como importunação sexual, crime previsto no artigo 215-A do Código Penal, que consiste em praticar ato libidinoso contra alguém sem sua anuência, com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiros.
A pena prevista para esse crime varia de um a cinco anos de reclusão, caso haja condenação definitiva.
Investigação continua
As investigações permanecem sob responsabilidade da Polícia Civil, que dará continuidade à coleta de provas para esclarecer todos os fatos.
Entre as diligências previstas estão a oitiva da vítima, do investigado e de testemunhas, além da análise de imagens de câmeras de segurança, documentos, prontuários, laudos periciais e demais elementos que possam contribuir para o completo esclarecimento da ocorrência.
Somente após a conclusão do inquérito policial é que o procedimento será encaminhado ao Ministério Público, responsável por avaliar se haverá ou não o oferecimento de denúncia à Justiça.
Repercussão nas redes sociais
A decisão que concedeu liberdade provisória provocou intensa repercussão nas redes sociais e em grupos de mensagens. Muitos moradores manifestaram indignação diante do curto intervalo entre a prisão em flagrante e a liberação do investigado.
Especialistas em Direito, entretanto, ressaltam que a prisão em flagrante possui natureza cautelar e que sua conversão em prisão preventiva depende do preenchimento dos requisitos previstos na legislação. Quando esses requisitos não são identificados pelo magistrado, a legislação permite a concessão da liberdade provisória, mantendo normalmente a continuidade da investigação e do processo judicial.
Posicionamento do Hospital Universitário Alzira Velano
Em nota oficial divulgada após o caso ganhar repercussão, o Hospital Universitário Alzira Velano informou que repudia qualquer conduta incompatível com a ética, o respeito e a dignidade humana.
A instituição afirmou ainda que adotará todas as providências cabíveis nas esferas acadêmica e disciplinar, reforçando que o episódio é tratado como um fato isolado e que não representa os valores da instituição.
O hospital também destacou sua trajetória de décadas como referência em saúde pública e ensino médico para Alfenas e dezenas de municípios do Sul de Minas, atuando nas áreas de urgência e emergência, gestação de alto risco, terapia intensiva e formação de profissionais reconhecidos nacionalmente.
Próximos passos
Com a concessão da liberdade provisória, o procedimento investigativo segue normalmente. O estudante continuará respondendo às investigações fora do sistema prisional, enquanto a Polícia Civil reúne todos os elementos necessários para a conclusão do inquérito.
O caso continuará sendo acompanhado pelas autoridades competentes e novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço das investigações e das decisões judiciais.
Conexão Alfenas – Conectando você com a notícia.











