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EPR Vias do Café voltou a ser alvo de questionamentos no Sul de Minas após um motorista de Alfenas denunciar cobranças consideradas indevidas e valores apontados como abusivos em serviços de pedágio vinculados ao sistema de TAG eletrônica. O caso ganhou repercussão nesta segunda-feira (18), após o condutor conferir o extrato bancário da conta vinculada ao sistema de pagamento automático.

Segundo o relato, o proprietário de uma Mitsubishi Outlander, classificada como veículo de passeio, identificou cobranças que, segundo ele, não condizem com a categoria do automóvel nem com os trajetos efetivamente realizados. Entre os valores contestados estão duas cobranças de R$ 30,00 cada em praça de pedágio administrada pela concessionária na rodovia MGC-491, registradas no dia 22 de abril de 2026, referentes ao trajeto de ida até Monte Belo e ao retorno para Alfenas. O motorista afirma que a tarifa correta para o trecho seria de R$ 15,00 por passagem, totalizando R$ 30,00, e não os R$ 60,00 debitados.

Outras cobranças consideradas irregulares teriam ocorrido na BR-459, em Santa Rita do Sapucaí. Conforme os registros apresentados, foram identificadas passagens nos dias 09 de janeiro e 28 de fevereiro de 2026, ambas em viagens de ida e volta, com cobrança total de R$ 20,20 por utilização. O valor chamou a atenção do motorista, já que, segundo ele, a tarifa praticada na rodovia é de R$ 10,10, além da taxa mensal de R$ 1,49 referente ao serviço da TAG contratado junto à instituição financeira. Apesar de reconhecer a adesão ao sistema automático, o usuário questiona os critérios utilizados nas tarifas cobradas.

Entretanto, o caso que mais despertou preocupação foi uma movimentação registrada como “TAG Estadia Serramar Shopping”, em Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo. De acordo com o extrato bancário, a suposta utilização ocorreu no dia 31 de janeiro de 2026, com entrada às 19h15 e saída às 20h12, gerando cobrança de R$ 9,00.

O motorista afirma categoricamente que nunca esteve no referido shopping e sequer passou pela cidade paulista, levantando suspeitas sobre possível falha no sistema de leitura da TAG, clonagem do dispositivo ou até cobrança indevida. A situação aumentou a preocupação quanto à segurança e à confiabilidade do sistema eletrônico de cobrança automática utilizado em rodovias, estacionamentos e estabelecimentos conveniados.

Outro ponto questionado refere-se à classificação do veículo apresentada no comprovante emitido pelo Sicoob Agrocred. No documento, o automóvel aparece descrito como “carro de passeio utilitário com dois eixos”. O proprietário ironizou a situação ao afirmar que “colocaram eixo no carro sem eu saber”, criticando os critérios utilizados para enquadramento tarifário nas cobranças automáticas.

Além das cobranças específicas, o motorista também fez críticas aos altos custos dos pedágios implantados recentemente nas rodovias do Sul de Minas. Segundo ele, os valores vêm impactando diretamente o orçamento de motoristas e famílias que dependem das estradas diariamente, especialmente em um cenário de dificuldades econômicas enfrentadas por parte da população.

Durante o relato, o condutor comparou ainda os valores cobrados nas rodovias da região com tarifas praticadas na Rodovia Fernão Dias, utilizada recentemente em uma viagem até Belo Horizonte. Conforme relatado, mesmo sendo uma das principais rodovias federais do país, os custos seriam inferiores aos praticados em trechos do Sul de Minas, além da isenção para motocicletas existente em alguns casos.

As críticas também se estenderam às condições estruturais de determinados trechos administrados na região. O segmento entre Campos Gerais e Boa Esperança foi citado como um dos mais preocupantes por motoristas, principalmente devido à ausência de duplicação em diversos pontos e à existência de problemas considerados perigosos para quem trafega diariamente pela via.

Por fim, o motorista afirmou que a população deve refletir sobre os impactos das concessões rodoviárias e das decisões políticas relacionadas à implantação dos pedágios no Sul de Minas. Segundo ele, o tema deverá ganhar ainda mais relevância com a aproximação do período eleitoral, principalmente diante das reclamações sobre valores elevados e melhorias consideradas insuficientes por parte da população usuária das rodovias.

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