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Alfenas(MG) – Com a aproximação das férias escolares e o período de ventos mais intensos característico do inverno, uma brincadeira tradicional volta a ganhar força em diversas cidades mineiras: empinar pipas. Embora seja uma atividade recreativa bastante popular entre crianças, adolescentes e até adultos, o uso de cerol e da chamada linha chilena tem provocado preocupação crescente entre autoridades, concessionárias de energia e equipes de segurança pública devido ao aumento do número de acidentes e interrupções no fornecimento de energia elétrica.

Todos os anos, hospitais, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e concessionárias registram ocorrências envolvendo motociclistas, ciclistas, pedestres e até animais atingidos por linhas cortantes. Além dos ferimentos graves, o problema também gera prejuízos à população por meio das frequentes quedas de energia causadas pelo contato das linhas com a rede elétrica.

Linha chilena é ainda mais perigosa que o cerol

Enquanto o cerol é produzido de forma artesanal, geralmente com cola e vidro moído, a linha chilena é industrializada e fabricada com materiais abrasivos, como quartzo e óxido de alumínio, tornando-se ainda mais cortante e perigosa. Especialistas alertam que ela pode provocar lesões graves em frações de segundo, especialmente em motociclistas e ciclistas que trafegam pelas vias urbanas.

O Corpo de Bombeiros destaca que tanto o cerol quanto a linha chilena representam riscos extremos à integridade física das pessoas, podendo causar cortes profundos, lesões permanentes e, em situações mais graves, levar à morte.

Impactos na rede elétrica

Segundo a Cemig, o aumento da prática de empinar pipas durante o período de férias também está diretamente relacionado às interrupções no fornecimento de energia em diversas regiões do estado. Quando uma pipa ou linha entra em contato com a rede elétrica, pode provocar curtos-circuitos, rompimento de cabos e desligamentos automáticos do sistema de proteção.

Outro problema frequente é a tentativa de retirar pipas presas em postes ou fios de energia. Muitas pessoas utilizam varas metálicas, arames ou outros objetos condutores, aumentando significativamente o risco de choques elétricos graves ou fatais. A Cemig alerta ainda que o cerol pode transformar a linha em um material condutor, elevando os riscos de acidentes.

Orientações do Corpo de Bombeiros

Para garantir uma diversão segura, o Corpo de Bombeiros recomenda:

  • Empinar pipas apenas em locais abertos, como campos, parques e áreas afastadas da rede elétrica;
  • Nunca utilizar cerol, linha chilena ou qualquer material cortante;
  • Não soltar pipas próximo a postes, antenas ou fios de energia;
  • Evitar a atividade durante chuvas ou quando houver relâmpagos;
  • Não subir em telhados, lajes ou árvores para recuperar pipas;
  • Não tentar retirar pipas presas na rede elétrica;
  • Manter atenção ao trânsito, principalmente à circulação de motociclistas e ciclistas;
  • Não correr pelas ruas ou atravessar avenidas para recuperar pipas cortadas.

Recomendações da Cemig

A concessionária reforça algumas medidas preventivas:

  • Procurar locais afastados das redes elétricas;
  • Nunca utilizar fios metálicos ou arames na linha da pipa;
  • Não arremessar objetos para retirar pipas da rede;
  • Acionar a Cemig sempre que uma pipa ficar presa em cabos elétricos;
  • Orientar crianças e adolescentes sobre os riscos da brincadeira próxima à rede de energia.

O que pode acontecer com quem usa cerol ou linha chilena?

Em Minas Gerais, a comercialização e o uso de cerol e linha chilena são proibidos pela Lei Estadual nº 23.515/2019. A legislação prevê apreensão do material, multas e responsabilização dos infratores. Quando menores de idade são flagrados utilizando essas linhas, os pais ou responsáveis podem ser notificados e responsabilizados.

Além das penalidades administrativas, o uso dessas linhas pode configurar o crime de “Perigo para a Vida ou Saúde de Outrem”, previsto no artigo 132 do Código Penal, especialmente quando a prática ocorre em locais públicos e coloca terceiros em risco. Caso haja ferimentos ou morte, o responsável ainda poderá responder civil e criminalmente pelos danos causados.

Conscientização salva vidas

Autoridades reforçam que empinar pipas continua sendo uma brincadeira saudável e tradicional quando praticada com responsabilidade. O problema não está na atividade em si, mas no uso de materiais cortantes e na realização da brincadeira em locais inadequados. Com a chegada das férias escolares, a conscientização dos pais, responsáveis e praticantes é fundamental para evitar acidentes, preservar vidas e reduzir os impactos causados na rede elétrica em todo o estado de Minas Gerais.


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