Alfenas (MG) – A recente repercussão nacional envolvendo o escândalo do Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro, também acabou refletindo no debate público em Alfenas. Nos últimos dias, publicações que circulam em grupos de WhatsApp e Facebook passaram a levantar suspeitas sobre um suposto envolvimento da Prefeitura Municipal de Alfenas em um processo relacionado à alienação de royalties, que teria sido vencido pelo EXP1 Fundo de Investimentos, administrado pelas empresas Yards Asset e Sefer Investimentos.
De acordo com conteúdos compartilhados nas redes sociais e em alguns meios de comunicação, haveria suspeitas sobre a elaboração de um edital supostamente direcionado. Entre os comentários que ganharam repercussão, surgiu o nome de um suposto personagem chamado “Manoel Paz”, apontado nas publicações como responsável pela elaboração do documento licitatório que teria viabilizado a participação do fundo no certame.

Diante da circulação dessas informações e da repercussão do assunto, a equipe do Conexão Alfenas procurou o setor de Licitações da Prefeitura Municipal com o objetivo de obter esclarecimentos oficiais e verificar como se deu o processo administrativo citado nas publicações.
Esclarecimentos do setor de Licitações
Ao chegar ao departamento responsável, a reportagem foi recebida pela secretária do setor e responsável pelos procedimentos licitatórios, que prontamente se dispôs a esclarecer as dúvidas levantadas nas redes sociais.
Durante a conversa, a equipe solicitou informações sobre o suposto servidor “Manoel Paz”, apontado em comentários nas redes como autor de editais considerados por alguns usuários como “fantasmas” ou elaborados por encomenda.

Segundo o setor de Licitações, não existe nenhum servidor com esse nome atuando na elaboração de editais ou nos procedimentos administrativos da prefeitura. Para demonstrar a rotina de trabalho do departamento, a equipe foi conduzida até a sala onde são realizados os procedimentos e arquivados os processos licitatórios.
No local, foi apresentado o computador utilizado para a elaboração e tramitação dos documentos administrativos. Conforme explicado pelos responsáveis, “Manoel da Paz” é apenas o nome atribuído ao computador utilizado no setor, prática comum em alguns ambientes de trabalho para identificação das máquinas na rede interna.
Como funciona o processo licitatório
Ainda segundo o setor de Licitações, todos os procedimentos administrativos seguem rigorosamente as etapas previstas na Lei 14.133, que regulamenta as contratações públicas no país.
O processo licitatório, de forma geral, ocorre nas seguintes etapas:
1. Fase Preparatória (interna)
O órgão público identifica a necessidade da contratação, realiza estudos técnicos preliminares, elabora o Termo de Referência, faz pesquisa de preços e prepara o edital.
2. Divulgação do Edital
O edital é publicado oficialmente, geralmente por meio do Portal Nacional de Contratações Públicas, permitindo que empresas interessadas tomem conhecimento do certame.
3. Apresentação de Propostas ou Lances
As empresas participantes apresentam suas propostas e, dependendo da modalidade, podem disputar lances.
4. Julgamento
A administração pública avalia as propostas com base nos critérios estabelecidos no edital, como menor preço, técnica e preço ou maior oferta.
5. Habilitação
É feita a verificação documental da empresa vencedora, analisando requisitos jurídicos, fiscais, trabalhistas, técnicos e econômicos.
6. Fase Recursal
Os participantes podem apresentar recursos contestando decisões relacionadas ao julgamento ou à habilitação.
7. Homologação e Adjudicação
A autoridade competente confirma a legalidade do processo e atribui oficialmente o objeto ao vencedor, culminando na assinatura do contrato.
Participação no certame
Segundo as informações obtidas pela reportagem, no processo relacionado à alienação de royalties citado nas redes sociais apenas uma empresa apresentou proposta durante o pregão, sendo posteriormente considerada habilitada após a análise documental prevista em lei.

Debate entre informação e desinformação
Nos últimos dias, o tema passou a gerar intenso debate nas redes sociais, colocando em confronto versões que variam entre suspeitas levantadas por usuários e esclarecimentos fornecidos pelos órgãos oficiais.
Nesse cenário, especialistas reforçam que o papel da imprensa é fundamental para apurar os fatos e oferecer ao público informações verificadas, baseadas em documentos e declarações oficiais.
A atividade jornalística deve ser pautada pela ética, responsabilidade social e compromisso com a verdade, garantindo transparência à população e contribuindo para o acompanhamento das ações do poder público, ao mesmo tempo em que respeita os direitos individuais e evita a propagação de informações não confirmadas.
Espaço aberto para manifestações
O Conexão Alfenas informa que permanece à disposição para ouvir todas as partes envolvidas no caso. Caso haja novos esclarecimentos, documentos ou posicionamentos oficiais, o espaço permanece aberto para manifestações, sempre dentro dos princípios do contraditório, da ética e da responsabilidade jornalística.
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