Florianópolis (SC) — A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito sobre as agressões que levaram à morte do cão conhecido como Orelha, um animal comunitário muito querido por moradores da Praia Brava, e recorreu a ferramentas tecnológicas de ponta para identificar um dos responsáveis pelo crime.
O caso, que comoveu a população local desde o início de janeiro, teve um desfecho após semanas de coleta e análise detalhada de provas. Imagens de câmeras de segurança distribuídas pela região foram essenciais para mapear os movimentos dos suspeitos e comprovar que um dos adolescentes investigados deixou seu condomínio nas primeiras horas do dia em que Orelha foi ferido gravemente.

A tecnologia a serviço da investigação
Segundo fontes policiais, os investigadores analisaram mais de mil horas de filmagens de 14 câmeras. Embora não haja registros visuais do momento exato da agressão, as imagens permitiram reconstruir a rotina e os deslocamentos do principal suspeito, um dos quatro adolescentes inicialmente ligados ao caso. Ele foi visto saindo do condomínio às 5h25 e retornando por volta das 5h58 da madrugada do dia do ataque.
Além das filmagens, a polícia recorreu a software francês de localização por celular, que cruzou dados de sinais com a movimentação do aparelho do suspeito, reforçando a presença dele na área próxima à Praia Brava no horário da agressão. Outra ferramenta, desta vez israelense, permitiu recuperar dados apagados do celular do jovem, ação que confirmou, por meio de elementos digitais, contradições no próprio depoimento do investigado.

Essas soluções tecnológicas, aliadas aos relatos de testemunhas e à análise de trajes e controle de acesso na portaria do condomínio, ajudaram a polícia a obter uma narrativa acurada dos fatos e a formular o pedido de internação provisória do adolescente.
Desdobramentos e repercussões
O cão Orelha, conhecido por viver na comunidade da Praia Brava e pela convivência pacífica com moradores e visitantes, não resistiu aos ferimentos após ser espancado no início de janeiro. A brutalidade do ataque gerou comoção e protestos em Florianópolis, com moradores exigindo justiça e responsabilização dos envolvidos.

Até o momento, outros três adolescentes seguem sob investigação, e familiares de alguns deles foram indiciados por coação de testemunhas, em razão de tentativas de influenciar depoimentos ao longo do processo investigativo.
O caso também chamou atenção de organizações e ativistas pelos direitos dos animais, que criticaram a demora em responsabilizar todos os envolvidos e questionaram a resposta do sistema de justiça aos atos de violência contra animais.











