Brasil – O governo federal oficializou o reajuste do salário mínimo para R$ 1.621 a partir de 1º de janeiro de 2026, conforme decreto publicado no Diário Oficial da União. O valor representa um aumento nominal de cerca de 6,79% em relação ao piso vigente de R$ 1.518 em 2025, com impacto direto sobre os pagamentos que serão feitos a partir de fevereiro de 2026.
Como foi calculado o reajuste
O novo salário mínimo foi definido com base nas regras atuais que combinam:
- A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulada em 12 meses até novembro de 2025;
- Um ganho real adicional de até 2,5%, limitado pelo teto do arcabouço fiscal vigente.
Essa metodologia garante que o piso seja atualizado acima da inflação, mas com restrições que impedem aumentos mais expressivos, especialmente em um contexto de elevação dos preços de itens essenciais.

Repercussão entre especialistas
Apesar de o aumento representar ganho real em relação ao ano anterior, especialistas e entidades sindicais têm criticado duramente o valor anunciado:
- O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que o salário mínimo ideal, capaz de atender às necessidades básicas de uma família de quatro pessoas, incluindo alimentação, moradia, saúde, educação e transporte, deveria estar muito acima do valor aprovado, estimando-o em torno de R$ 7.067,18.
- Para esses especialistas, o reajuste atual é “insuficiente diante do aumento real do custo de vida”, especialmente pela valorização dos preços de alimentos, energia e serviços essenciais ao longo de 2025.
- A crítica vai além de números: muitos economistas qualificam o reajuste como uma “vergonha” frente aos desafios econômicos enfrentados por milhões de brasileiros que dependem do salário mínimo para sobreviver.

Impacto econômico e social
O salário mínimo é referência para milhões de trabalhadores formais e informais, além de influenciar diversos benefícios sociais e previdenciários, como seguro-desemprego, aposentadorias, pensões e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Segundo estimativas, o reajuste deve elevar as despesas obrigatórias do governo em cerca de R$ 44 bilhões em 2026, pressionando as contas públicas em um ano eleitoral e diante de metas fiscais já rígidas.
Críticas à política de valorização atual
Alguns economistas também observam que a fórmula atual de correção, apesar de legalmente vigente, não acompanha adequadamente a realidade econômica enfrentada pelas famílias brasileiras. Enquanto a inflação real em alguns itens essenciais supera a média geral, o reajuste pelo INPC mais ganho real limitado não é suficiente para recompor o poder de compra dos trabalhadores que já viviam com dificuldades no orçamento mensal.
Conclusão:
O reajuste do salário mínimo para R$ 1.621 em 2026 representa tecnicamente um ganho real em comparação ao ano anterior, mas especialistas consideram o valor insuficiente e distante das necessidades reais dos brasileiros. A crítica se baseia tanto na estimativa de um piso que não cobre o custo de vida básico quanto no impacto social ampliado por décadas de inflação acima do reajuste anual.











