Dólar Hoje Euro Hoje Ouro Hoje Bitcoin Hoje
Compartilhar:

Belo Horizonte (MG) – As tarifas de água e saneamento da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) sofreram reajuste médio de 6,56%, que passou a valer nesta quinta-feira (22/01) para consumidores de todo o estado. O aumento ocorre em meio a constantes reclamações da população sobre a qualidade dos serviços prestados pela empresa nos municípios onde atua.

O reajuste foi aprovado pela Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário de Minas Gerais (Arsae-MG) e integra a 3ª Revisão Tarifária Periódica da Copasa, processo que vai além da simples correção inflacionária. A nova tabela tarifária foi publicada no Diário Oficial de Minas Gerais no fim de dezembro de 2025, na mesma edição em que o governador Romeu Zema (Novo) sancionou a lei que autoriza a privatização da companhia.

Segundo a Arsae-MG, diferentemente do reajuste anual baseado apenas na inflação, a revisão tarifária periódica envolve uma avaliação mais ampla da estrutura de custos e da prestação dos serviços, com o objetivo de garantir equilíbrio econômico-financeiro à concessionária e viabilizar investimentos futuros nos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário. As revisões anteriores ocorreram em 2017 e 2021.

Ainda de acordo com a agência reguladora, o processo contou com participação da sociedade, por meio de cinco consultas e audiências públicas, realizadas entre maio de 2024 e outubro de 2025. Mesmo assim, o reajuste gera insatisfação entre os consumidores, que afirmam não perceber melhorias proporcionais na qualidade dos serviços oferecidos.

Mudanças na Tarifa Social

A revisão tarifária também trouxe alterações na Tarifa Social, que passou a ser dividida em duas categorias: Social I e Social II. A mudança busca contemplar diferentes níveis de vulnerabilidade social, beneficiando famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) de forma considerada “mais adequada” pela Arsae-MG.

Troca no comando e privatização

Na última semana, o governo de Minas promoveu uma mudança na presidência da Copasa. Deixou o cargo Fernando Passalia, que estava à frente da companhia desde março de 2025, e assumiu Marília Melo, atual secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Segundo o Executivo estadual, a troca ocorreu para que Marília, especialista na área de água e saneamento, conduza o processo de privatização da empresa.

Insatisfação nos municípios

Apesar das justificativas técnicas, o sentimento predominante entre a população é de que o serviço segue distante do esperado, enquanto as tarifas continuam subindo. Em praticamente todas as cidades atendidas pela Copasa há registros frequentes de reclamações envolvendo falta d’água, baixa pressão, rompimentos de redes, cobrança considerada abusiva, falhas no esgotamento sanitário e principalmente a demora no atendimento.

Em Alfenas, no Sul de Minas, esse contraste entre o aumento das tarifas e a qualidade dos serviços prestados já ultrapassou os limites do aceitável, segundo moradores. No entanto, cláusulas contratuais impedem qualquer movimentação imediata por parte do município, deixando a população sem alternativas.

O contrato de concessão entre a Prefeitura de Alfenas e a Copasa para os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário tem vigência até 15 de outubro de 2033. O acordo original foi firmado em 1974 e posteriormente renovado em 2000, abrangendo as operações de água e esgoto na sede municipal.

Enquanto isso, a população segue pagando mais caro por um serviço que, na prática, continua aquém das expectativas, levantando questionamentos sobre a gestão da companhia e o real impacto do reajuste tarifário na melhoria da prestação dos serviços essenciais.


Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *